Vagabundo

Este vento veloz, que sopra gelado,

impede-me os passos, me tolhe o caminho,

penetra-me a alma, me traz a saudade,

aumenta-me o medo de estar tão sozinho.

Esta noite tão fria, escura e vazia,

me torna covarde diante da vida.

Estou só, sem lugar, tão distante, sem teto,

procurando encontrar, nestas trevas, guarida.

Esta chuva, que molha os telhados das casas

e o meu corpo tão frágil que treme de frio,

o pranto parece da noite, que chora

por ver-me outra vez, como antes, vadio.

Vagabundo, é certo, eu sou, já não nego.

Mas a gente que passa não deve saber

que esse é o poeta infeliz que agora,

sem amor vagabundo até pode morrer.

Poema do livro “O Flamboyant”, de Carlos Gomes

Veja aqui a versão de “Vagabundo” na voz da cantora Tania Malheiros, com arranjo de Anselmo Ferraz.

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